Angola Mon 16-01-2012
FOTOGRAFIA: Linhas Zungueiras, Linhas Estéticas
Simão SOUINDOULA
E, visivelmente, a relação artística que o olho destro de Ndilo Mutima confirma com a cinquentona de poses de jovens vendedores, ambulantes, rodando, infatigavelmente, as ruas e grandes avenidas da actual, opulenta, cidade de Luanda ; esses aproveitando do afrouxamento do tráfico de automóveis, consequência do seu excessivo parque de veículos, resultado, previsível, da imparável subida do preço de petróleo, registada nos últimos anos.

E, portanto, a circulação rodoviária, abrandada, que provocou uma invasão de zungueiras e aparentados, na cidade da Sereia, espaço urbano, que foi, relativamente, poupado, pelo interminável conflito armado, e que recebeu, automaticamente, centenas de milhares de deslocados e que, hoje, acolhe adolescentes e outros jovens, desempregados, convencidos das graças do êxodo rural.
Conscientes da necessidade de valorizar a dignidade do seu emprego e da sua auto-estima, aceitaram, de bom agrado, numa evidente cumplicidade, de se por a disposição do fotografo com « Coração Generoso».
O grandioso efeito do conjunto e uma magnifica fresca policromada no estilo Benetton, realçada pela espantosa qualidade dos “captures”, em digital, de última geração.
Com os seus homólogos de outras cidades dos « Danados da Terra », colocaram os seus fardamentos de trabalho, bem adaptados, de preferência em jeans, no limite de trajes de desportos, com cores cintilantes : meio – calcas, shorts, mini - saias, camisetas ligeiras ou tee-shirts, ténis ou sândalos, chapéus e sacos ao corpo ou porta-moedas banana.
São, essas diferentes vestimentas, associadas aos seus negócios, que eles levam, atenciosamente, sobre eles, fazem que eles constituem incontestáveis obras de arte.
Com efeito, esses ngonde levam as mercadorias com arte, numa habilidade prática, artística, e une sedutora elegância.
A arte da zunga, coloria, bem involuntariamente, as artérias da antiga Sao Pablo de Loanda, numa verdadeira feira de artes decorativas, a céu aberto.
Finalmente, esses « nteki » formam, quase, emocionantes composicoes picturais com as suas bacias, a cabeça, transportando, produtos da terra ou importados, laranjas bem pigmentadas, amendoins, e tubérculos de mandioca achocolates, de peras e abacates verdes, uva purpúrea e bananas laranjeiras.
A exposição de calendários e mapas fazem deles autênticas aplicações, em dupla aplainas.
Mais, posicionam-se, como verdadeiras esculturas pós - modernas com, toalhas contra-suor ao pescoço e chapéu, transportando cestos, calças, relógios, bidões, óculos anti - solares, gravatas, produtos de beleza e discos – compactos, de diversos coloridos.
O distribuidor de bebidas com a sua caixa térmica rosácea, a exposição de sacos, o porte de pequeno material eléctrico ou de sandálias, o carrego de vassouras assim como o arranjo de paneis de óculos revelam, incontestavelmente, notáveis efeitos de design.
O lavador de veículos, visivelmente, feliz de trabalhar ao grande ar, fará uma bela maqueta de escultura monumental.
Esses « muendo-muendo » podem, igualmente, ser confundidos com selados cerâmicas com o transporte triangular de mercadorias, um apanhado, em equilíbrio, de acessórias de pedicura e manicura ou de cordoes de telefone, de agregados de lingueirões, de lotes de medicamentos ou de cigarros, pastilhas e doses de whisky em plástico ou de copos.
Ndilo, este habituado de foros internacionais de fotografia, próximo da Fundação, de arte contemporânea, Sindika Dokolo, com um olho tornado muito vivo, realizou, neste quadro, uma imagem de antologia; um jovem « enda-enda » oferecendo um adorável cachorro…
Em suma, a meia -centena de retratos desse especialista de fotojornalismo, que exalta, incontestavelmente, uma sublime beleza de linhas e formas, extraordinária fonte de inspiração, endógena, para os marketores, assinala, uma época, na arte contemporânea do « Quadrilátero », a do Angolan post – modern style.
Posted By: Andrew Njoroge
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